A Grécia venceu a batalha táctica do UEFA EURO 2004™ (©AFP)

Todas as edições do Campeonato da Europa ficaram marcadas por evoluções tácticas e o UEFA EURO 2008™ não será, certamente, excepção, devendo também apresentar novidades interessantes.

Primazia à defesa
Nos primeiros Europeus, disputados na década de 60, a velha táctica do 2-3-5, com dois defesas-centrais, dois médios-ala, um médio-defensivo, dois extremos, dois médios-interiores e um avançado, começou a cair em desuso, sendo substituída por tácticas cada vez mais sofisticadas, que reflectiam uma nova mentalidade, em que a primazia era dada à defesa. O grande objectivo já não era marcar golos, mas sim tentar não sofrer. Os novos sistemas, como o 4-3-3 (em que muitas vezes não eram usados extremos), o 4-4-2 ou o 4-2-4 resultaram da evolução da modalidade, obrigando a uma maior rapidez de pensamento e de execução.

Evolução nas posições
As posições individuais também evoluíram. A Itália, campeã da Europa em 1968, apostava na habitual solidez defensiva e nos atacantes rápidos, mas também no grande potencial ofensivo de Giacinto Facchetti, um defesa-central que ajudou a redefinir esta posição. Os organizadores de jogo também ganharam grande protagonismo, com destaque para o brilhante Günter Netzer, que integrou a esplêndida equipa da Republica Federal da Alemanha que conquistou o título em 1972. O expoente máximo de um organizador de jogo capaz de marcar golos, de livre ou em jogadas de bola corrida, foi atingido em 1984. Michel Platini levou a França ao título e sagrou-se o melhor marcador da prova, apontando nove golos em cinco jogos no Europeu organizado pelos gauleses.

Surge o líbero
Na década de 70 surgiu o líbero. Nesta posição, o jogador tinha uma função predominantemente defensiva, jogando atrás do sector mais recuado, para cortar os ataques do adversário. O elegante Franz Beckenbauer, que capitaneou a selecção alemã ocidental de 1972, deu uma nova dimensão ao líbero, usando o seu talento e visão de jogo para subir no terreno e lançar os ataques da sua equipa.

Grupo de estudo
Ao longo dos anos, este desporto tornou-se mais sofisticado em termos tácticos, com as defesas a serem cada vez mais difíceis de ultrapassar. Nos últimos Campeonatos da Europa, estas evoluções têm sido registadas pelo grupo de estudos técnicos de UEFA, que é composto por especialistas técnicos e treinadores experientes que têm como missão identificar a evolução das tendências tácticas.

"Aspirador"
No EURO '96™, em Inglaterra, a tendência era a aposta em blocos defensivos fortes, quase impenetráveis, com um reforço do meio-campo. Grande parte das selecções jogou num sistema de 3-5-2, com o sacrifício dos extremos, obrigando os médios-ala a trabalho suplementar e os laterais a realizarem grandes subidas no terreno. O contra-ataque, apoiado em avançados muito rápidos e tecnicistas, era quase sempre a única forma de destabilizar as defesas. Um médio-defensivo, muitas vezes apelidado de "aspirador", tinha um papel importante para suster os contra-ataques. Nesta altura, os guarda-redes foram obrigados a evoluir tecnicamente, pois deixaram de poder agarrar as bolas atrasadas com os pés.

Losango
Em 2000, na Bélgica e na Holanda, a moda era um meio-campo em losango, com um médio-defensivo, dois centrocampistas intermédios e um elemento que jogava no apoio aos avançados. Algumas equipas optavam por reforçar o meio-campo com um outro jogador de características defensivas, apostando apenas num ponta-de-lança. Os jogadores precisavam de ser cada vez mais completos, tacticamente experientes, versáteis, adaptáveis, flexíveis, com pensamento rápido e, ainda, obrigados a possuir uma enorme capacidade física.

Vitória grega
Na fase final do Europeu de 2004, a mistura de técnica e velocidade tornou-se fundamental, pois o jogo ficou ainda mais rápido. O colectivo impôs-se como um bloco defensivo maciço, obrigando os adversários a apostarem nos contra-ataques rápidos para tentarem chegar ao golo. A construção de jogo lenta, com muita circulação de bola, mostrou-se ineficaz contra estes sistemas, levando as equipas a voltarem a apostar no jogo pelos extremos para tentar contornar os blocos defensivos. As jogadas de bola parada também estiveram na origem de muitos golos durante o Europeu em Portugal. A disciplina táctica, a organização e o espírito colectivo levaram a Grécia a contrariar todas as expectativas e a conquistar o título Europeu. Este desporto não pára de evoluir e o que poderemos esperar na Áustria e na Suíça? Certamente que o UEFA EURO 2008™ trará algumas novidades tácticas, capazes de fascinar os adeptos e os especialistas da modalidade.